Contos de Locadora Vol.1: Meu Primeiro Aluguel

meu primeiro aluguel bnn

Já faz um tempinho que estou bolando essa idéia de compartilhar experiências com as saudosas locadoras dos anos 90 (e também 80, por que não?), mas só agora, com a contribuição da maioria dos editores deste prestigiado blog, conseguir transpor a primeira parte dos Contos de Locadora.

Essa primeira postagem vai contar a experiência de alguns editores com seu primeiro aluguel de jogos, suas primeiras “fitas” ou “cartuchos” alugados. Cada história aqui postada é de inteira responsabilidade de quem a vivenciou, portanto, esperem desde casos bizarros até os mais engraçados ocorridos.

cosmao

 

Cosmão

Bom, minha história com videogames começou por causa de um falecido primo meu, que me apresentou o Atari 2600 dele. Depois do baque inicial, acabei ganhando um tempos depois, mas foi com o Master System que ocorreu meu primeiro aluguel de fitas de verdade.

A locadora chamava-se Elit’s Video & Game e ficava relativamente longe de onde eu morava, cerca de umas 10 quadras (naquela época, pra um garoto de 7 ou 8 anos, era longe sim). Eu lembro que desci lá (sim, ela ficava cerca de 10 quadras PRA BAIXO da minha casa) com meu amigo, que posteriormente também foi ter um Master System e com a minha mãe e a dele. A locadora era grande e tinha muita fita desde Mega Drive, SNES e, claro, Master System.

double dragon sms

Lembro que foi nesse dia também que eu vi, pela primeira vez na vida, o jogo Flashback funcionando na minha frente, enquanto um garoto jogava numa TV de lá. Fiquei maluco vendo toda aquela movimentação realística do jogo… Enfim, a primeira fita que peguei foi Double Dragon, tudo porque eu já tinha jogado muitas vezes esse jogo num bar perto da minha casa, com esse mesmo amigo.

Desnecessário dizer que jogamos até cansar naquele sábado e passamos o domingo jogando até conseguir terminar o game. Tenho muita saudades dessa época boa, lembro da localização de cada uma das locadoras que usufrui na época, mas isso fica pra uma segunda parte.

matt

 Matt

Salve meu polvo, vamos lá seguindo a gud vaibe desse post antológico.

A primeira LOCADA a gente nunca esquece… ou esquece..? Sei lá. De repente essa minha historia não é da primeira de todas as locadas, mas serve.

O ano era provavelmente 1991, ferias de final de ano. Eu tinha vencido a sexta série após uma dura batalha nas temidas provas finais de fisica e matematica e finalmente ia ganhar um novo console do papai de presente natalino adiantado, fomos até a MESBLA e eu pude escolher entre dois concorrentes, o Mega Drive e o Dynavision 3, claro que optei pelo melhor, o clone do Nintendinho que pegava fitas tanto americanas quanto japonesas, 72 e 60 pinos, com o controle manche que era terrivel de jogar coisas que não fossem um simulador de vôo mas logo seria substituído por um D=pad clássico.

dynavision 3

Enfim, com o console plugado na TV super moderna de 20″, vamos aos jogos. O console veio com ELEVATOR ACTION, e esse foi jogado até cansar, chegou o final de semana e a hora de ir na locadora. Cheguei lá e fiz o cadastro sozinho, sou homemzinho, fui escolher os jogos e começou um dos momentos de mais incerteza da humanidade, alugar 2 fitas desconhecidas pra passar o final de semana inteiro jogando até calejar os dedo. E se eu escolhesse mal? E se o jogo fosse facil demais ou dificil demais? E se o Lula um dia for eleito??

Ja tinha ouvido falar de um tal Rockman, o carinha azul que atirava pelo braço e parecia ser muito legal, peguei o ROCKMAN 3, porque eu achei a capa mais legal, mas tinha que escolher 2 fitas pra devolver só na segunda, então optei por uma coisa mais sombria, um tal de CASTLEVANIA 3 – escolhi o 3 porque era lançamento.

megaman castlevania

Corri pra casa e fui direto preparar o TANG laranja e os biscoitos São Luiz recheados para acompanhar o debut. Primeiro o ROCKMAN, jogo japones, cartucho pequenininho e pirata, pra variar. Liguei e aquela musiquinha que até hoje emociona começou a soar.. Press Start e a musica melhora, aparecem 9 fotos 3×4 dos bonecos e logo surgiu um WTF na minha cabeça… Nem prestei atenção que aquilo era a seleção de fase/boss e não um SELECT YOUR FIGHTER, ambem nem percebi que o carinha no centro estava mexendo os olhos e não tinha um nome embaixo como os outros.

Pensei que ali eu estava escolhendo o meu personagem que eu ia usar, um asno eu, isso mesmo. Escolhi o Needle Man porque tinha uma cara de badass malvado das trevas irritado com o mundo. Start, musiquinha, intro com dancinha e pose de badass, beleza… READY… WTF?? Rockman aparece em forma de capsula do céu e me faz cair na real. Encurtando a historia, foi amor a primeira jogada pelo blue bomber, joguei e consegui terminar naquele mesmo dia e ainda terminei mais uma vez antes de devolver a fita na segunda feira a noite.

megaman 3

O outro cart era das trevas, do mal, Castlevania 3. Esse cartucho era original e americano, aquele bandejão cinza imponente e cheiroso a plastico novo. Vamos lá. Mais um jogo de plataforma, dessa vez não tem escolha de personagem ou boss, as musicas são igualmente boas, pensava se naquele console existia algum jogo ruim – porque já havia jogado alguns na casa de amigos e sempre eram jogos legais… Mario Bros, Gun Smoke, Duck Hunt com pistolinha, Road Fighter, Goal, Contra, Tartarugas Ninjas, tantos classicos que eu via nos fliperamas e agora podia ter em casa.

castlevania 3

Voltando ao Castlevania, esse eu não dei tanto valor porque estava in love com o Meguinha. Procurei o cart pra comprar na semana seguinte e achei em uma locadora pra vender, cart pirata como sempre, mas agora eu tinha o jogo e gravei as musicas em fita k7 para ouvir por aí no meu walkman.

max

 

Max Carnage

Meu primeiro aluguel foi um game bem sugestivo pra uma criança de 8 anos: a humilde fita dos Jetsons – Invasion of the Planet Pirates pro Super NES (meu primeiro console e favorito até hoje).

jetsons

O aluguel foi feito na mesma locadora onde foi comprado meu console poucos dias antes, na lendária Locatora Games (mais conhecida como “locadora do Flamarion“, que era o dono) que ficava na região continental de Florianópolis durante boa parte dos anos 90 e era o point de muita gurizada que ia lá jogar. Geralmente meu pai me levava pra alugar aos sábados pela manhã e o acervo da locadora não chegava a ser dos maiores, mas sempre tinha muita novidade.

max locatora

Minha experiência com o game não foi nem um pouco fora do padrão pra alguém que ainda estava engatinhando nesse meio; tentava aprender o controle enquanto jogava e apanhava pra cacete. Lembro que uma das minhas maiores conquistas na época foi ter passado da
segunda Stage desse jogo, matando aqueles dois aliens que somem e aparecem enquanto você está sobre uma esteira. Provavelmente isso não aconteceu nesse primeiro aluguel, mas como gostei bastante desse game (gosto até hoje!) o aluguei mais e mais vezes e mais tarde o
adquiri. Não preciso dizer que hoje finalizo ele quase de olhos fechados.

max jetsons1

A locadora do Flamarion era especializada em Super NES, o que era algo notável já que a popularidade dos sistemas da Sega foi bem maior no Brasil. Pouco antes de fechar a  locadora também recebeu games do Playstation e eu já quase não frequentava mais. Melhores lembranças que tenho da vida gamer são nesse tempo que infelizmente não foi suficientemente registrado, mas espero lembrar até meu último segundo de vida.

colimar

 

Colimar

A primeira locação é uma memória viva e em cores: cheguei em casa da escola e minha mãe tira da bolsa 3 capas da Videomania, a locadora que ficava lá na Quintino Bocaiúva. Quando li que um dos jogos era das tartarugas ninja nem pensei e nem olhei os outros, pensei que fosse o arcade game e já fui direto jogar esse mesmo. A primeira surpresa foi descobrir que era o primeiro que não sabia que era esse super difícil e quebrado, eu fiquei muito mais feliz em saber que as tartarugas tinham mais de um jogo. Joguei muito esse e nem vi passar o almoço e umas duas horas quando parei pela segunda vez na fase da represa.

colimar cartucho turtles

Hora de ver o próximo jogo: Dr. Mario. Aquele mario do outro jogo agora é médico? E foi isso mesmo, só não esperava encontrar um puzzle dos mais esquisitos. Demorou pra pegar o jeito só que ainda assim não era um dos jogos mais legais que tinha visto. Só mesmo anos depois é que entendi tudo o que esse jogo tem e aí passou a ser um dos meus favoritos.

colimar dr mario

O terceiro conseguiu a marca de ser o último e melhor do dia que é capaz que fosse o único a ser jogado se fosse o primeiro: nada menos que Contra. Já mostrou sua força quando levei 10 tentativas pra chegar até o chefe da primeira fase e a onda que foi quando o destruí e pensei que nunca tinha ido tão longe num jogo. Mais que isso só a surpresa de ver que tinha mais jogo depois disso e que a fase era diferente, era em “3d”.

colimar contra

Um dia inteiro jogando e pegando as manhas pra mal conseguir chegar até o meio da fase que tá caindo neve. Foi um dia de muito trabalho pro velho Dynavision e ainda teve mais no dia seguinte e semanas seguintes a cada locação.

tsu

 

 

 

Tsu

Salve amiguinhos da OLD. Aqui vos fala o Tsu, do extinto fotolog.net/cosmo_kramer. O que, não lembra? Sua mãe lembra com certeza, pergunta lá pra ela e manda ela devolver minha cueca do Fido Dido que eu esqueci debaixo da cama.

Hoje irei contar-lhes historinhas sobre aluguel de fitas, atividade tão nostalgica que certamente fez parte da infância e adolescência de muitos, senão todos, nós gamers.

De fato, eu alugava fita pra caramba. Na rua atrás de casa tinha uma locadora, cuja entrada tinha uma rampa filha da puta que muitas vezes me derrubou de cima da bicicleta, em que eu sempre alugava minhas fitinhas de SNES, preferencialmente no sábado porque aí só entregava na segunda. Numa época onde nem internet e muito menos emuladores existiam, foi assim que tive o prazer de jogar títulos como Mickey Circus Mistery, Mickey Magical Quest, Donkey Kong Country 3, Doom Troopers, dentre outras.

Como não poderia deixar de ser, houveram momentos memoráveis.

Como o dia em que aluguei Super Star Wars, não gostei do jogo e fui na locadora pedir pra alugar outro jogo, porque a fita “não tava funcionando“. Como não poderia deixar de ser, o Tsu tinha que se fuder porque o dono da locadora tinha um SNES debaixo do balcão, em que ele prontamente inseriu o cartucho e o game funcionou lindamente na TV onde antes tava passando Soldado Universal, do Van Damme.

tsu star wars

Tsu com cara de bosta, pego em flagrante dando migué, só conseguiu responder “MAS NÃO FUNCIONOU NO MEU VIDEOGAME“, como se isso fosse problema da locadora. O dono da locadora devia ter ganhado um boquete campeão da mulher dele naquela manhã, porque ele tava de bom humor (o que era algo RARO) e deixou eu alugar outra fita no lugar.

Outra história memorável foi quando eu fiquei alguns meses de cama após passar por algumas cirurgias. Ao contrário do que geralmente acontecia, meu SNES não veio com Super Mario World e sim com Street Fighter 2 e Choplifter 3 (que se você resetasse virava Megaman X). Quando fiquei sabendo desse jogo do Mario, pedi pro meu pai ver se ele achava “um jogo do Mario em que ele montava num dragãozinho verde” pra eu jogar. Eis que o velhão achou e alugou pra eu jogar. Pirei com o jogo e a tristeza bombou quando meu pai foi devolvê-lo no outro dia. Para minha surpresa e alegria, eis que meu pai volta do trampo com a fita e diz que agora era minha, pq ele tinha comprado pra eu poder jogar mais. Pense num pivete feliz.

tsu mario world

Pra finalizar, teve a vez em que aluguei Power Rangers The Movie numa locadora do centro. Eu, como toda qualquer criança dos anos 90, era piradão em Power Rangers. Só que achei estranho pra caralho aquele jogo… afinal, quem era Aisha? E Rocky? Cade a japinha gostosa e o Jason??? O jogo era todo diferente e tem uns monstros que eu nunca tinha visto. Só poderia ter uma explicação: Era um jogo pirata! Na minha cabeça, jogo pirata era um jogo modificado, falso. Fiquei de cara com a minha descoberta genial, mostrei pro meu pai as diferenças entre o The Movie (que eu nem imaginava que significava O FILME muito menos que existia outra temporada de Power Rangers) e o outro jogo do Power Rangers que eu tinha em casa e voltei na loja pra trocar, afinal eles tavam me dando um jogo “pirata” pra jogar. O resultado foi diferente: o atendente da loja não entendeu nada, negou veementemente que qualquer fita deles eram pirata (no sentido pleno da palavra) e depois da maior treta, meu pai mandou eu parar de frescura e escolher outro jogo pra ele parar de passar vergonha.

tsu power rangers

Escolhi outra coisa e, para minha surpresa naquela mesma tarde, começou a passar na Sessão da Tarde nada mais, nada menos que o FILME dos Power Rangers! Assisti que nem loco e entendi que o jogo que eu tinha julgado como fake era o jogo do filme. Fui correndo pro meu pai, quando ele chegou do trabalho, dizendo que eu queria voltar na loja pra pegar de novo o jogo dos Power Rangers, porque eu tinha assistido o filme e a fita na verdade não era pirata. Encerro a história dizendo que o esporro que eu tomei aquele dia foi tão, mas tão nervoso que o cachorro saiu correndo e ficou tres dias na rua até voltar pra casa.

E é isso meus queridos. Um abraço a todos que leram e aos amigos da OLD. E pra sua mãe aquela puta também.

2 comentários

  1. Quando o cartucho era caro você tinha mais é que alugar, até pela questão das locadoras sempre reservarem games raros. Essas raridades nunca estavam à venda e geralmente você tinha que ter sorte para outro sócio não ter alugado na sua frente. Também quebravam um galho quando os flipers ficavam lotados ou quando um pessoal barra pesada ia jogar, daí as locadoras sempre tinham ports de arcades para o Play 1 ou Saturn.

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